[Intro]
Som baixo, batida lenta, salpicos de chuva no rio seco
Ouça: é a história do tarbossauro Speckles
Barro, sangue, brasas — começa assim
[Verso 1]
No começo a vida era larga, mãe guiava pela trilha de lama,
Pegadas na margem, rastro da mãe estampado na lama clara.
Irmãos rondavam samambaias, o dossel cantava, o rio sorria,
Um território promissor — sol, sombra e comida todo dia.
Mas chegou One Eye, dente vermelho, faísca como ferrugem no ar,
Olho só, ódio puro — rugiu e fez o vale sangrar.
Rasgou as tocas, apagou as trilhas, levou a paz no vento frio,
As mães silenciaram, marcas sumiram no barro do rio.
[Pré-Refrão]
Silêncio. Só passos que ecoam.
Choro curto entre as folhas rasgadas.
[Refrão]
Speckles se ergue, toma seu chão
Cicatriz no peito, mas o rei são
Um olho caiu, justiça no mar
Filho ao lado, a dor vai curar
[Verso 2]
Veio Blue Eyes, olhar de amanhecer, azul como lago profundo,
Se encolhia perto de Speckles, deu cor ao seu mundo sem rumo.
Juntos plantaram ninhos, renovaram as sombras do pântano,
Riam baixo, cerâmicas de vida, passos firmes no mesmo canto.
One Eye rondava, inveja em vermelho — corroía a margem e a raiz,
Tirou-lhes comida, apagou o curso, deixou o pântano infeliz.
Mas Speckles não cedeu — garras cortaram o silêncio, batida, pulso,
Rebelião nas costelas: pegou o que era seu, reconstruiu o sulco.
[Rap — Voz de Speckles (1ª pessoa)]
Eu sou Speckles — marcas no couro, voz rouca do vento,
Perdi mãe, perdi irmãos, perdi chão, carreguei lamento.
Prometi aos filhotes: enquanto houver fôlego, eu cuido do ninho,
Cada passo é juramento, cada rugido é destino.
One Eye tentou me tomar Blue Eyes, levou luz do meu dia,
Lutei, defendi, tomei de volta o que era minha raiz e minha trilha.
[Refrão]
Speckles se ergue, toma seu chão
Cicatriz no peito, mas o rei são
Um olho caiu, justiça no mar
Filho ao lado, a dor vai curar
[Ponte — perda e silêncio]
Blue Eyes caiu — raptores covardes, faca nas sombras.
Silêncio. Gelo no bico do peito. Choro curto nas horas.
Três, quatro filhotes — pequena tropa, pequeno batel,
A esperança diminui, mas um pulso segue fiel.
[Verso 3 — escalada de tensão]
One Eye voltou entre névoa e lodo, mais voraz, mais cinzento,
Roubou dois, matou outro — deixou só um, restou o tormento.
Tentou afogar o último numa corrente que uivava raiva,
Mas das profundezas rasgou-se um som — fome ancestral, grava.
A sombra do mar chegou: Kronossauro, dentes de âncora, enorme,
Olhos como sal e fome que ondula, arrastou a fúria que corrompe.
One Eye lutou, rangiu, foi puxado por mandíbulas como porta,
Gritei pro céu, peguei meu filho, vi o gigante levar a horda.
[Ponte — imagem cinematográfica]
A água fechou-se, o mundo engoliu o vermelho em bolhas e silêncio,
Kronossauro girou — e a maré trouxe ausência, trouxe remorso.
Blue Eyes não voltou; a areia guardou o último toque dela,
Mas ficou um filhote quente, um latido de vida na janela.
[Refrão Final]
Speckles se ergue, toma seu chão
Cicatriz no peito, mas