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Rua da Escuridão (Samba do Marcos) 1 by MARCOS

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Rua da Escuridão (Samba do Marcos) 1 by MARCOS - samba music cover art

Rua da Escuridão (Samba do Marcos) 1

samba

0:002:58
Lyrics
Description
a realidade da vida do marcos ou era um maloqueiro favelado não ouvi a minha família não não não
e só vivia no beco da favela na rua da escuridão
se essa rua se essa rua fosse minha eu tirava todo aquele malandrão
e não deixava aqueles perigoso não que nessa vida não tem nada essa vida de ilusão
na metade do beco, luz de poste que treme, passo miúdo, coração em pele de chão,
peso de pedra no peito, olhos cansados de rua, rosto marcado pelo suor e solução.
ele andava mudo, com a mochila de sonhos,
e o mundo punha tropeço em cada mão,
era sombra e poema, buscando um caminho —
era um maloqueiro favelado, buscando redenção.
quem vai acender a rua?
— eu vou, eu vou!
quem afasta a noite dura?
— eu vou, eu vou!
e quando a dor pergunta: 'vai desistir?'
— não não não!
se essa rua fosse minha
eu tirava todo aquele malandrão
eu tirava todo aquele malandrão
não deixava os perigos rondar não
se essa rua fosse minha
eu fechava as portas pra ilusão
e abría a janela pra esperança entrar, pro sol nascer no chão
marcos não era santo, mas tinha mãos que cuidavam,
de quem tem fome de música e medo de falar.
na laje, contou histórias, ensinou a rima e a dança,
pôs o futuro nas botas dos moleque pra andar.
a comunidade observava, some passos, outras vozes,
ele trocava punhos por um pandeiro e por um lar.
quem vai acender a rua?
— a família, a rua, o irmão!
quem afasta a noite dura?
— cada palma, cada mão!
e quando a dor pergunta: 'vai desistir?'
— não não não!
se essa rua fosse minha
eu tirava todo aquele malandrão
eu tirava todo aquele malandrão
não deixava os perigos rondar não
se essa rua fosse minha
eu devolvia riso ao chão
e fazer do beco uma escola, do medo, só lembrança então
veio um dia claro, oferta de trabalho na oficina do cais,
marcos limpou a alma com óleo e esperança, aprendeu a paz.
mas tinha feridas velhas, e a cidade cobra o preço sem avisar,
numa esquina a palavra virou punho — e o destino teve pressa de falar.
ele caiu como quem planta semente, o corpo partiu, a história ficou,
mas a roda que ele acendeu girou e os meninos dançaram o que ele sonhou.
se essa rua fosse minha
eu tirava todo aquele malandrão
eu tirava todo aquele malandrão
não deixava os perigos rondar não
se essa rua fosse minha
eu cantava alto contra a solidão
e a favela inteira virou samba, virou casa, virou coração
a luta não foi em vão: na praça agora ecoa um pandeiro,
as crianças aprendem nomes novos, comem riso, recolhem dinheiro.
a realidade da vida do marcos vive em cada passo que não some,
história que não se apaga — memória que samba e que nos nome.
marcos quis mudança, deu a vida em oferenda; quem escuta, entende:
na rua da escuridão, uma luz acesa resta — e não se rende.