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Peito Bonito 1 by Alicia

SongGPT
Peito Bonito 1 by Alicia - funk music cover art

Peito Bonito 1

funk

0:003:29
Lyrics
Description
Nasci em silêncio.
E foi assim que o mundo me tratou desde então.
Silêncio.
Ninguém me via.
Ninguém me escutava.
Ninguém me escolhia.
Desde os primeiros anos de escola, tudo em mim era errado.
Fui deixada de lado antes mesmo de entender o que era “amizade”.
As outras meninas riam, se abraçavam, faziam planos.
Eu? Eu era a que sobrava no grupo, a que sentava sozinha, a que ouvia piadinhas sussurradas atrás da nuca.
Me diziam que era só fase.
Mas como é que uma fase dura tanto?
Como é que a dor gruda na pele e nunca mais sai?
Fui crescendo com um espelho que me odiava.
Cada vez que eu me olhava, só enxergava defeito.
Cabelo que encolhia demais.
Braço fino.
Perna seca.
Olhos apagados.
Barriga estranha.
Rosto sem graça.
Gente vinha e ia, e eu continuava invisível.
Me esforçava pra ser legal, interessante, gentil.
Mas no fim das contas, sempre me trocavam por outra.
Sempre preferiam alguém mais “normal”.
Mais “bonita”.
Mais “popular”.
Era como se eu estivesse presente, mas ao mesmo tempo... não.
Uma presença que não fazia falta.
Uma pessoa que ninguém lembrava de chamar.
E quando lembravam… era pra me usar.
Fui juntando ferida por cima de ferida.
Fui aprendendo a calar, engolir e sorrir.
Mas por dentro, eu tava morrendo.
Veio a fobia.
O medo de falar, de ser vista, de respirar perto de alguém.
Tremor, suor, enjoo, pavor.
Só de entrar numa sala cheia, meu corpo já queria fugir.
Mas aí, do nada, algo mudou.
Um pedaço de mim começou a crescer.
Um pedaço que finalmente fazia eu me sentir... um pouco mais viva.
Meu peito.
Ele cresceu rápido.
Ficou bonito.
Redondo.
Chamava atenção.
Era como se meu corpo tivesse gritado:
“Olha, alguma coisa em mim vale a pena.”
Eu comecei a amar isso em mim.
Pela primeira vez na vida, me olhei no espelho e senti orgulho.
Nem que fosse só daquela parte.
Nem que o resto todo ainda doesse.
Mas mesmo isso virou alvo.
Começaram os comentários.
Uns nojentos, outros cruéis.
"Ela só tem peito", diziam.
Como se até meu único detalhe bonito fosse motivo pra me destruir.
Mesmo assim, eu resisti.
Me apeguei àquilo como quem se agarra na beirada de um penhasco.
Porque era tudo o que eu tinha.
Enquanto todo mundo seguia em frente, fazia amigos, vivia,
eu só... aguentava.
Com dor no peito — não por causa do corpo, mas da alma.
De todas as vezes que fui deixada de lado.
De todas as palavras não ditas.
De todas as vezes que confiei e fui jogada fora.
Hoje, caminho com todas essas cicatrizes.
Não carrego força.
Carrego sobrevivência.
Não sou superação.
Sou resto.
Sou consequência da negligência de todo mundo que me ignorou.
E se algum dia eu sumir,
não vai ter comoção.
não vai ter texto bonito.
não vai ter ninguém dizendo:
h“Ela era especial.”
pPorque, na real,
nunca fui.
s
Mas pelo menos…
mMeu peito cresceu bonito.
e por uns segundos,
eu me senti humana.