[Verso 1 — Contrio]
Na rua onde a neblina corta o chão
Lanternas piscam, tremem como coração
Contrio caminha, olhar em contraluz
Bolsa de sonhos, sapatos sem capuz
O relógio trava às três, respira o medo
A cidade segura o fôlego, segredo a dedo
Ele fala baixo, conta o que há de vir
Promete ficar, mesmo que tudo possa ruir
[Verso 2 — Trinco (1ª pessoa)]
Eu sinto o glitch tênue na pele, prontidão
Um ruído no pulso, um salto na direção
“Eu escuto” — digo — “um corte no ar, um aviso”
As ruas falam em códigos, eu leio o improviso
Minhas mãos tremem, tento frear a queda
Há um risco no compasso, a cena queda-me na cabeça
Não é só som: é falha, é fenda, é pedra
Eu sou Trinco e sinto a curva que nos cerda
[Pré-Refrão — Duo]
Há um fio exposto entre o real e o espaço
Cada passo pesa, cada passo faz traço
Um silêncio longo antes do próximo som
O mundo prende a respiração, e é aí que eu posso
[Refrão — Duo]
No glitch, eu e você: sobreviver
No glitch, eu e você: ainda viver
Curto, forte, a pulsação a bater
No glitch, eu e você: sobreviver
[Verso 3 — Contrio]
Vejo a luz fragmentada na vitrine da rua
Sinais que piscam, memórias que tatuam a lua
Contrio segura o braço do amigo, diz baixo
“Nesta cidade o medo tem preço e é alto”
Mas ele oferece mão, calor em contracena
Promete não soltar, mesmo quando a cena envenena
Há promessas feitas com voz que não treme
E um mapa de apostas que a madrugada contém
[Pré-Refrão — Trinco em 1ª pessoa — aumento de tensão]
Eu ouço passos que não andam, risos que não rimam
O ar fica denso, os olhos colam em cima
Meu peito é tambor, a falha é premonição
Sinto o glitch virando som, invadindo a canção
[Ponte — Glitch (staccato) — Trinco em 1ª pessoa]
gli—gli—glitch, ruído que corta e prende
gli—gli—glitch, a linha que quebra, não entende
[ruído eletrônico crescente — 2 batidas]
[silêncio — 1 compasso]
Eu paro. O mundo trava. O relógio pára às três.
[pausa curta — respiração]
Há escolhas: correr ou ficar, deixar ou prender
Se eu fico, você sai? Se eu saio, como te defender?
Um risco real: a rua pode tomar o rosto
Perdemos algo se fugirmos — e se morrermos de desgosto
[Ponte 2 — Contrio (resposta, voz firme)]
Se eu ficar, eu guardo teu nome no corpo
Se eu sair, levo a sua história no meu porto
Há dor que cura. Há dor que ensina a ver
Escolho ficar, mesmo sem saber se vamos vencer
[Refrão — Duo, variação final]
No glitch, eu e você: sobreviver
No glitch, eu e você: aprender a sobreviver
(refrão em harmonia, linha contra-aposta)
No glitch, eu e você: manter e não ceder
No glitch, eu e você: talvez sarar, talvez perder
[Refrão Final — Dueto com contraponto]
No glitch, eu e você: sobreviver (eu juro)
No glitch, eu e você: sobreviver (eu garanto)
Contrio canta a coragem; Trinco, a frequência
Duas vozes que se cruzam, buscam consistência
[Outro — Ambíguo, imagens e resquício]
Lanternas acendem de novo, a neblina não se foi
O relógio volta a andar, mas